NASA escolhe 8 empresas para levar cargas à Lua e vai mandar rover nuclear ao polo sul em 2028
Novo contrato CLPS 2 pode chegar a US$ 10 bilhões em 10 anos; o rover PROMISE, montado com peças de Curiosity e Perseverance, deve ser lançado no fim de 2028 a bordo de um módulo da Blue Origin.

A NASA anunciou no sábado (7), no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, um pacote de contratos para o programa Moon Base, a base que a agência quer instalar no polo sul da Lua. Os destaques são a seleção de oito empresas para a nova fase do serviço comercial de entregas lunares, o CLPS 2, com teto de US$ 10 bilhões em dez anos, e a confirmação do PROMISE, um rover movido a energia nuclear que deve ser lançado no fim de 2028.
Segundo a agência, a ideia é que os primeiros equipamentos da base já estejam na superfície quando os astronautas chegarem. “Estamos construindo a Moon Base missão por missão”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman, de acordo com o comunicado oficial.
Oito empresas disputarão as entregas
Blue Origin, Firefly Aerospace, Intuitive Machines, ispace-U.S., Lockheed Martin Space, Northrop Grumman Space Systems, SpaceX e Voyager Technologies foram selecionadas para o CLPS 2 (Commercial Lunar Payload Services). Isso não garante missões a nenhuma delas: o contrato é do tipo “guarda-chuva”, com múltiplos vencedores, e as companhias passam a poder competir por cada entrega de carga científica, tecnológica ou de infraestrutura.
A NASA também ampliou o contrato atual, o CLPS 1.0, de US$ 2,6 bilhões para US$ 4,2 bilhões, para cobrir a primeira fase da base. Esse contrato fica em vigor até novembro de 2028, com prazo até novembro de 2033 para concluir as entregas já encomendadas. Segundo a Scientific American, o gerente do programa, Carlos García-Galán, afirmou que a nova geração de módulos de pouso precisará levar cargas de até seis toneladas.
PROMISE: um rover de Marte adaptado para a Lua
O PROMISE (sigla em inglês para Rover Polar de Observação, Mapeamento e Exploração In Situ) terá seis rodas e será montado pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, a partir de peças sobressalentes e modelos de teste dos rovers Curiosity e Perseverance. A energia virá de um gerador termoelétrico de radioisótopos (MMRTG), o mesmo tipo usado nos rovers marcianos. Por não depender de luz solar, ele poderá operar durante as longas noites lunares e dentro de crateras permanentemente sombreadas, onde os cientistas suspeitam haver gelo de água.
De acordo com a página da missão, o rover levará uma broca capaz de retirar material de até 1 metro de profundidade, espectrômetros para analisar a composição do solo e procurar água, sensores de temperatura e radiação, câmeras e um pacote de direção autônoma com lidar e um computador de bordo resistente à radiação. Alguns instrumentos são os mesmos do VIPER, outro rover lunar da NASA. A missão principal está prevista para durar 18 meses.
A Blue Origin recebeu US$ 94 milhões para levar o PROMISE ao polo sul com seu módulo Mark 1, com opção de mais US$ 140 milhões condicionada ao desempenho.
Transporte, drones e energia
O pacote inclui ainda seis encomendas, somando cerca de US$ 1,3 bilhão, dentro do contrato VADR de lançamentos, entregues a Arrow Science and Technology, Blue Origin e Impulse Space. Elas cobrem voos de demonstração de veículos de transferência orbital, uma espécie de “caminhão” entre a órbita da Terra e a Lua, além da sonda CAPSTONE 02 e dos drones MoonFall, que devem sobrevoar o polo sul antes da chegada dos astronautas. A SpaceX foi escolhida para lançar satélites de comunicação em um Starship em 2028, num teste de rede entre a Terra e a Lua.
Para a infraestrutura de superfície, Honeybee Robotics (empresa da Blue Origin), Redwire e Yank Technologies vão fornecer baterias, painéis solares e transmissão de energia sem fio para uma torre compacta de energia e comunicações, chamada miniCAST. A NASA diz que lançará no início de 2027 uma concorrência separada para sistemas de energia completos.
O que considerar
Os valores, prazos e objetivos acima são da própria NASA e das empresas envolvidas. Cronogramas espaciais costumam mudar: a Scientific American lembra que os módulos de pouso tripulado da Blue Origin e da SpaceX ainda não foram testados nessa função, risco já apontado pelo inspetor-geral da agência. O pouso de astronautas na Lua está previsto pela NASA para 2028, na missão Artemis IV.
Para o Brasil, o anúncio interessa porque o país é signatário dos Acordos Artemis desde 2021, o conjunto de princípios liderado pelos Estados Unidos para a exploração lunar. Os contratos anunciados agora, porém, são com empresas americanas ou com subsidiárias nos EUA.
Fontes: NASA, comunicado de 07/11/2026; NASA, página da missão PROMISE; Scientific American, 07/11/2026. Foto: NASA/JPL-Caltech, PIA23305, uso conforme a política de imagens do JPL.


