Fiocruz debate inteligência artificial na saúde em reunião da Rede Pasteur
Encontro de 3 a 5 de novembro em Laval, no Canadá, discutiu IA e tecnologias emergentes contra doenças infecciosas. A Rede Pasteur e o INRS confirmaram tema e programação; a Fiocruz relatou a participação brasileira e um memorando de formação.

A Rede Pasteur e o Institut national de la recherche scientifique (INRS) realizaram de 3 a 5 de novembro, em Laval, no Quebec (Canadá), a reunião anual da rede, a PNAM 2026, dedicada à inteligência artificial e a tecnologias emergentes no enfrentamento de doenças infecciosas. A Fiocruz, que integra a aliança, publicou em 6 de novembro um relato da participação da delegação brasileira.
O comunicado da Rede Pasteur de 27 de outubro e a página do evento no INRS confirmam o local — o Hotel Sheraton Laval —, as datas e o recorte do programa: dez sessões nos dias 4 e 5 de novembro sobre inteligência epidêmica, genômica e outras ômicas, contramedidas médicas (vacinas, terapias e diagnósticos) e relações entre patógenos, hospedeiros e ambiente. Mesas-redondas trataram de ética, governança e equidade, além dos efeitos da inteligência artificial sobre a pesquisa e a educação.
O que o programa oficial previa
A cerimônia de abertura estava marcada para 4 de novembro, às 9h30 no horário do leste da América do Norte, o equivalente a 11h30 em Cuiabá. O programa da Rede Pasteur listou Mario Moreira, presidente da Fiocruz, como presidente da Rede Pasteur entre os oradores da abertura, ao lado de dirigentes do INRS, da prefeitura de Laval e da direção executiva da rede. A abertura seria transmitida no canal da organização no YouTube.
Segundo a Rede Pasteur, o encontro veio semanas depois de o INRS ter ampliado sua filiação — até então concentrada no Centre Armand-Frappier Santé Biotechnologie, descrito como o membro da rede na América do Norte desde 2005 — aos cinco centros de pesquisa da universidade quebequense. A página de outubro apresenta a Rede Pasteur como uma aliança de 33 institutos em 25 países.
O que a Fiocruz relatou da delegação
Em texto da Agência Fiocruz de Notícias, a fundação afirmou que a delegação apresentou experiências brasileiras em vigilância, desenvolvimento de vacinas, governança e educação. O relato atribui a Moreira a declaração de que essa é “uma discussão que não podemos adiar”, porque a inteligência artificial “já está mudando a maneira como produzimos conhecimento, realizamos pesquisas, organizamos os sistemas de saúde e nos comunicamos com a sociedade”.
No mesmo texto, Moreira relaciona o uso dessas ferramentas à chamada Missão 100 Dias — a meta de identificar patógenos e acelerar diagnósticos, vacinas e tratamentos diante de uma emergência sanitária — e alerta para o emprego da inteligência artificial na produção e na disseminação de desinformação. A fundação também o cita ao defender que “a inovação é essencial, mas deve ser orientada por princípios éticos e servir ao interesse público”.
A Agência Fiocruz escreve que Raphael Saldanha, do Observatório de Clima e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), abriu a primeira mesa científica com experiências da fundação. Entre elas estaria o AlertAr Saúde, plataforma pública de acompanhamento e previsão da qualidade do ar nos municípios brasileiros, além de pesquisas sobre a relação entre poluição do ar e internações hospitalares.
O mesmo relato atribui a Paula Reges, assessora para assuntos internacionais da Presidência da Fiocruz, a defesa da validação dos sistemas, da supervisão humana e do risco de ferramentas treinadas com dados pouco representativos reproduzirem desigualdades. Patrícia Neves, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), teria apresentado a plataforma de RNA da fundação na sessão sobre contramedidas médicas. Isabella Delgado, da coordenação-geral de educação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação, teria falado do uso dessas ferramentas no ensino.
Memorando de formação, segundo a Fiocruz
A fundação afirmou que um dos resultados do encontro foi a assinatura de um memorando de entendimento voltado à formação de pesquisadores de diferentes instituições da Rede Pasteur. Segundo esse relato, a Fiocruz será um dos três centros participantes e deve receber dois estudantes estrangeiros em 2027 para cursar o doutorado completo na instituição.
Até esta publicação, a Rede Pasteur não havia divulgado em seu site um comunicado posterior confirmando o teor desse memorando. Esta reportagem não teve acesso ao documento assinado.
O que considerar
O relato da participação brasileira, as citações e o memorando de formação vêm da própria Fiocruz, parte interessada no encontro. A realização da reunião, o tema, as datas, o local e a presença de Moreira no programa da abertura constam de páginas oficiais da Rede Pasteur e do INRS publicadas antes do evento. Não se trata do anúncio de um novo sistema de inteligência artificial adotado no Sistema Único de Saúde, nem de resultado clínico: as menções a vacinas, diagnósticos e vigilância descrevem debates e experiências institucionais, sem recomendação médica.
A Rede Pasteur e o INRS também registraram, de forma independente, um curso de liderança em pesquisa nos dias 1 a 3 de novembro, antes da programação principal. A Agência Fiocruz afirma que Isabella Delgado e o pesquisador Alexandre Costa, do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná), participaram dessa formação.
Fontes: Rede Pasteur, anúncio da PNAM 2026 (27/10/2026); INRS, página da PNAM 2026; Agência Fiocruz de Notícias, 06/11/2026. Foto: Econt / Wikimedia Commons, CC BY 3.0.


