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Perplexity e Mistral lançam agentes de IA “sempre ligados”: o que muda para as empresas

Perplexity lançou os Teammates e a Mistral ampliou o Studio com agentes gerenciados: a IA passa a assumir trabalho contínuo e chamar uma pessoa só para decidir. Veja o que muda para empresas brasileiras.

ComentaPublicado em4 min de leitura
Aravind Srinivas, CEO da Perplexity, falando no palco do TechCrunch Disrupt 2024
Aravind Srinivas, cofundador e CEO da Perplexity, no TechCrunch Disrupt 2024. Foto: TechCrunch/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A corrida dos agentes de inteligência artificial mudou de fase nesta semana. Em vez de assistentes que esperam uma pergunta para responder, as empresas de IA passaram a vender agentes que assumem um trabalho contínuo, monitoram o que acontece e só chamam uma pessoa quando há uma decisão a tomar. A Perplexity lançou os Teammates, agentes “sempre ligados” para o trabalho do dia a dia, e a Mistral ampliou o Mistral Studio com agentes gerenciados, fluxos de trabalho e aplicativos corporativos.

Os dois anúncios apontam para a mesma direção: a IA deixa de ser uma ferramenta que você abre e fecha e passa a funcionar como um colega que fica de plantão. Para empresas brasileiras que já usam IA no atendimento, em vendas ou no pós-venda, entender esse movimento ajuda a planejar os próximos passos com mais segurança.

O que a Perplexity lançou

Segundo o blog oficial da empresa, os Teammates são agentes pessoais feitos para assumir trabalhos de longa duração. Eles planejam e coordenam projetos, mudam de rumo quando as prioridades mudam e apresentam os resultados para revisão. Cada um lembra os objetivos do projeto, o histórico de tarefas e os arquivos compartilhados, de modo que cada nova tarefa parte do que já foi feito.

O exemplo dado pela própria Perplexity é bem concreto: um agente de vendas percebe quando um cliente frequente para de comprar, revisa o histórico de pedidos e os chamados de suporte, investiga o que mudou e então prepara uma oferta ou sinaliza problemas a resolver antes do contato. Durante o processo, ele envia atualizações e pedidos de aprovação.

Os agentes também podem ser adicionados a um canal do Slack, onde colegas passam tarefas ou pedem status, e podem repassar trabalho entre si. Na página de novidades do produto, a empresa sugere usos como redigir respostas para cada novo e-mail de suporte com base nas políticas e no histórico de pedidos, “checando comigo antes de qualquer reembolso”. Por enquanto, o recurso está disponível apenas para assinantes do plano Max, que custa US$ 200 por mês, conforme reportaram o The Verge e o Engadget.

A aposta corporativa da Mistral

Do lado europeu, a Mistral apresentou o Mistral Studio expandido, apoiado no modelo Mistral Large 4, apelidado de “Le Chonk”. A empresa separa bem três peças: o agente investiga e age, o fluxo de trabalho (workflow) coordena a execução e as aprovações, e o aplicativo dá aos funcionários uma forma de usar tudo isso.

Os agentes gerenciados podem executar tarefas de várias etapas, usar “skills” que registram os procedimentos da equipe, rodar código em ambientes isolados e delegar partes do trabalho a subagentes. Os fluxos definem quais etapas seguem regras fixas, onde o agente raciocina e quando uma pessoa decide; execuções interrompidas retomam de onde pararam. Segundo a documentação da Mistral, um agente pode trabalhar sozinho por horas ou dias, enquanto o cliente define o que ele pode acessar e quais ações exigem aprovação humana.

Um ponto que interessa a quem lida com dados sensíveis: a Mistral permite rodar tudo na nuvem dela, na nuvem privada do cliente (VPC), em servidores próprios ou numa combinação desses ambientes. A empresa cita ABANCA e BNP Paribas entre os clientes que já usam o Studio para automatizar tarefas.

Por que isso importa para empresas brasileiras

A diferença entre um chatbot e um agente “sempre ligado” é a iniciativa. O chatbot responde quando o cliente escreve. O agente contínuo acompanha a carteira, percebe que um pedido atrasou, que um cliente sumiu ou que um chamado ficou sem resposta, e age antes de alguém pedir. Para pequenas e médias empresas, que raramente têm equipe para acompanhar tudo em tempo real, esse tipo de automação pode fechar lacunas que hoje custam vendas e reputação.

Ao mesmo tempo, os dois lançamentos reforçam uma regra que vale para qualquer projeto sério: supervisão humana nos pontos críticos. Tanto a Perplexity quanto a Mistral destacam pedidos de aprovação, limites de acesso e a possibilidade de revisar ou corrigir o trabalho do agente. Reembolsos, descontos, mudanças de cadastro e respostas sensíveis continuam sendo decisões que pedem uma pessoa no circuito.

Como começar com o pé direito

  • Escolha um processo recorrente e mensurável. Acompanhar pedidos atrasados, responder dúvidas frequentes ou reativar clientes inativos são bons candidatos, porque têm começo, meio e fim claros.
  • Defina o que o agente pode fazer sozinho e o que exige aprovação. Escreva isso como uma política, do mesmo jeito que você orientaria um funcionário novo.
  • Dê contexto de qualidade. Agentes contínuos dependem de histórico de pedidos, políticas comerciais e base de conhecimento atualizados. Dados desorganizados geram decisões ruins.
  • Acompanhe e registre. Prefira ferramentas que mostrem o que o agente fez e por quê, para corrigir rumos rapidamente e cumprir obrigações como a LGPD.
  • Calcule o custo real. Planos premium como o Max, de US$ 200 mensais, fazem sentido para alguns perfis, mas nem todo processo precisa de um agente de ponta. Compare com o ganho de tempo esperado.

Conclusão

Os Teammates da Perplexity e o novo Mistral Studio mostram que a próxima disputa da IA não é só sobre qual modelo responde melhor, e sim sobre quem consegue manter agentes trabalhando de forma confiável, contínua e sob controle. Para as empresas, a oportunidade está em automatizar o acompanhamento que hoje se perde no dia a dia, sem abrir mão da revisão humana nas decisões que importam. É exatamente esse equilíbrio entre automação e controle que o Comenta acompanha e ajuda a colocar em prática no atendimento e na operação das empresas.

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