IA chega a 80% das empresas brasileiras, mas só 7% a levam à estratégia
Estudo da MIT Sloan Management Review Brasil, encomendado pela TOTVS, mostra que 80% das empresas brasileiras já usam IA, mas só 7% a incorporaram à estratégia. Veja os gargalos e o que fazer para sair da fase de testes.

A inteligência artificial já entrou na maioria das empresas brasileiras, mas ainda mora nos cantos. Um estudo da MIT Sloan Management Review Brasil, encomendado pela TOTVS, aponta que 80% das organizações já testam ou usam IA de alguma forma, mas apenas 7% incorporaram a tecnologia à estratégia do negócio. Os números, divulgados nesta semana e detalhados em comunicado da TOTVS, ajudam a entender por que tanta empresa usa IA e tão poucas conseguem dizer quanto ganham com ela.
O que o estudo encontrou
O levantamento “Da adoção à escala: a maturidade da inteligência artificial nas empresas brasileiras” ouviu 583 empresas de diferentes portes, setores e regiões do país, segundo a Forbes Brasil. A pesquisa foi conduzida pela CNEX, que representa a MIT SMR no Brasil, e avaliou as empresas em várias dimensões para chegar a um índice médio de maturidade de 6,69, numa escala de 0 a 10.
O retrato é de uso espalhado e pouco coordenado. Em 40% das organizações, as iniciativas de IA estão distribuídas entre áreas diferentes, sem coordenação entre elas. E só 7% redesenharam processos de ponta a ponta com a tecnologia. Em publicação da própria MIT SMR Brasil, a revista acrescenta que 70% dos casos de uso são ferramentas que apenas respondem a comandos ou dão sugestões, e que os 7% batem com o que o MIT CISR encontrou no mundo para o estágio mais avançado de maturidade.
O dinheiro que ninguém mede
Um dos dados que mais chamam a atenção é financeiro. De acordo com o estudo, 86% das empresas não medem quanto gastam com IA, e 88% não acompanham os resultados financeiros obtidos com ela. Ao mesmo tempo, 69% planejam aumentar o investimento em IA nos próximos 12 meses, mas 83% ainda não têm orçamento e plano definidos para essas iniciativas.
Isso não significa que a IA não traga resultado. Segundo o comunicado, 71% das empresas relatam processos mais rápidos ou mais baratos com o uso da tecnologia. Só 31%, porém, criaram novos produtos, serviços ou processos a partir dela. Ou seja, o ganho percebido hoje está concentrado em eficiência, e não em inovação.
Dados, sistemas e gente: onde a IA trava
O ponto mais frágil, segundo a Forbes Brasil, é a integração tecnológica. Embora 68% das companhias já tratem a migração para a nuvem como realidade, só 46% dizem que suas ferramentas de IA acessam os dados da empresa de forma automática. E apenas 8% integram a IA de forma ampla aos sistemas de gestão (ERP). Vale lembrar que ERP é o principal mercado da TOTVS, que encomendou o estudo. Ainda assim, a diferença aparece no índice: conforme outra publicação da MIT SMR Brasil, empresas com IA integrada aos sistemas de gestão chegam a 7,21, contra 5,10 das que não têm essa integração.
Há também o lado humano. Entre os profissionais ouvidos, 43% têm medo de errar por confiar demais na IA e 37% dizem não saber usar as ferramentas corretamente, mas só 7% das empresas oferecem treinamento estruturado sobre o tema para todos os funcionários. Entre os riscos citados, aparecem vazamento ou uso indevido de dados (46%), falta de qualificação das equipes (36%) e erros ou “alucinações” das ferramentas (32%). Mesmo assim, apenas 14% têm uma política formal de governança de IA aplicada a toda a organização.
“Não existe inteligência artificial escalável sem dados organizados, integrados e governança”, afirmou Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, no comunicado. Na coletiva de apresentação, acompanhada pelo portal ITShow, o CEO Dennis Herszkowicz resumiu: “O impacto do uso da IA pelas empresas só acontece quando essa tecnologia faz parte da estratégia e é aplicada aos processos críticos”, conforme registrou a Forbes Brasil.
O que sua empresa pode fazer agora
O estudo fala de empresas de todos os portes, e as lições servem tanto para uma grande indústria quanto para um comércio local:
- Escolha um processo crítico, não dez experimentos. Em vez de espalhar ferramentas por cada área, comece por um fluxo que pesa no caixa, como atendimento, vendas ou cobrança, e redesenhe esse processo com IA do início ao fim.
- Meça custo e retorno desde o primeiro dia. Anote quanto custa cada ferramenta e defina um indicador simples: tempo de resposta, vendas fechadas, horas economizadas. Sem isso, fica impossível saber se vale ampliar o investimento.
- Conecte a IA aos seus dados. Uma IA que não enxerga o cadastro de clientes, o estoque ou o histórico de pedidos responde no escuro. A integração com os sistemas que você já usa é o que transforma um assistente genérico em ferramenta de trabalho.
- Treine a equipe e defina regras. Uma política curta, dizendo quais dados podem ou não ir para a IA e quando uma pessoa precisa revisar a resposta, já reduz o risco de vazamento e de erros.
- Busque parceiros. Segundo a MIT SMR Brasil, empresas com parcerias ativas no ecossistema têm índice de 7,31, contra 5,20 das que tentam avançar sozinhas.
Conclusão
O retrato traçado pelo estudo é de um Brasil que já experimenta IA em larga escala, mas ainda não colhe o resultado completo dela. O salto dos 80% para os 7% passa por escolher processos que importam, integrar dados e medir resultados. No atendimento ao cliente, esse caminho pode começar pelo básico: o Comenta reúne WhatsApp, Instagram e outros canais em um só lugar e usa IA para responder com agilidade, com métricas de cada conversa e a opção de passar o caso para uma pessoa quando necessário.
Fontes: Estado de Minas — comunicado da TOTVS (30/10/2026); Forbes Brasil — IA chega a 80% das empresas brasileiras, mas só 7% usa no centro do negócio; ITShow — TOTVS: 93% das empresas brasileiras usam IA sem estrutura; MIT Sloan Management Review Brasil — publicação sobre o estudo; MIT Sloan Management Review Brasil — índice de maturidade; TOTVS.


